Saturday, December 15, 2012

Sem Título

Eu
Teu
Ateu
A teu                                  
                                  Dispor

Sunday, December 2, 2012

Ítalo-nordestino do cabelo ruim


Sou um ítalo-nordestino do cabelo ruim

Adoro comer arroz e pirão de peixe, bolo de cenoura e tapioca
Posso ficar o dia todo numa rede, sentindo o sol
Gosto de ver as empregadas reunidas no hall dos prédios

Sou branquelo, cresci ouvindo dialeto vêneto
Adoro polenta com queijo, vinho e uva
Dou risada com a bagunça da italianada

Amo samba, MPB e cultura popular
Como arroz e feijão toda semana umas três vezes
Gosto de deixar coisas pra depois

Sou gaúcho, sou nordestino, sou latino?
Depois de tanto conflito existencial,
De tantas experiências diferentes,
De tantas feridas, bullyings e alegrias,
Posso afirmar, sem medo de ser feliz,
Que sou um ítalo-nordestino do cabelo ruim

Y me gusta!


Wednesday, October 31, 2012

Provocando a Academia Brasileira de Letras (ou uma pessoa insegura)

Deixa eu te dizer
Que você tá linda
Vem cá, me dê um beijo
Que eu lhe amo
Pra quê essa insegurança?
Deixa ela pra lá!
A gente precisa viver
Sem se preocupar

A gente precisa criar
A nossa própria gramática

Wednesday, September 12, 2012

Me duele

Me duele cuando pienso en mi vida
cuando creo que no valió la pena
cuando me vienen las dudas
cuando las caras no me hacen acordar a mis amigos
cuando la inocencia se me escapa
cuando me cae el mundo en cima

Me duele no ser la misma persona
no reirme de las cosas de antes
no creer en lo que creía
no encontrar un final

Me duele saber que estoy en el medio del camino
que ya no puedo volver al principio
y que quiero llegar al otro lado, pero no lo veo

Me duele sentirme angustiado y desorientado
me duele la rutina
me duele no tenerlos
me duele saber que estoy viviendo como se debe vivir

Y escribo en español porque es la lengua del sentimiento, de la pasión avasalladora, de la tristeza cruda. Es la lengua que me ensenó dónde está mi lugar.

Monday, September 10, 2012

Vida


                            Caos





                                                        ]E vice-versa[

Monday, August 6, 2012

Livrarias

Hoje fui ao shopping com a minha família e, enquanto eles tomavam café, eu fui a uma livraria próxima. Finalmente entendi por que eu adoro tanto esse ambiente. Entendi que livros não são apenas algumas páginas sobrepostas nem a seção de best-sellers dos jornais; são vidas pedindo para serem examinadas, investigadas e compartilhadas. Tomemos como exemplo um livro acadêmico de medicina. São anos de estudo, de pesquisas, de erros e acertos, tentativas, choros, alegrias, entrevistas, curiosidades, frustrações, leituras, manuais, hospitais para que se forme uma ideia, uma teoria, e ela tome forma em corpo escrito. Um livro de poesia talvez não requeira tanta pesquisa, mas exige sentimento, culpa, desgosto, felicidade, chocolate, levar com a cara no chão, perder, perder-se, achar, achar-se, amar, amar-se, e caberia aqui um monte de verbos reflexivos. Outro caso, livro de culinária, deve ser uma delícia, com o perdão do trocadilho. Imagino que tantas fotos e páginas tenham que ter sido refeitas com pingos e pedacinhos de comida, eu não resistiria. Ademais, quantas vezes não terá precisado o autor pensar num prato, cozinhá-lo, achar o ponto, provar, fotografar?

Livros não são objetos, têm vida, têm alma, são imortais. A alegria de entrar numa livraria consiste em ter aberto diante de si o mundo, dissecado, escancarado e ainda catalogado, pra que a gente se perca nos assuntos da vida. A gente até se perde no meio daquilo tudo, mas ao se perder, a gente se acha. Ler um sumário é como começar a conhecer uma pessoa, começamos com o nome da obra, quando foi publicada, em que contexto, do que se trata e, a partir daí, o nosso eu nos diz, me interessa!, ou, nem a pau, que coisa chata!. O livro é mais honesto, menos político, vai direto ao por que veio, parece que traz mais segurança.

Assim como o café ou o chimarrão, o livro é uma forma que o homem encontrou de dividir-se, de compartilhar-se com os outros. A diferença deste para aqueles é que este não necessariamente precisa de uma segunda pessoa física; geralmente é o papel e eu. Nós dois, um imaginando o outro. Vou procurando nas seções algo que me interessa, vejo aquela capa bonita, aquele título sedutor e quero decifrar aquele mistério inicial, saber o porquê da sensação de atração. O autor do livro talvez nem pensasse no seu público ao escrever, mas saber que alguém vai ler faz a gente se sentir aliviado, aliviado das dores, saudades, melancolias e amores que não cabem na alma e no corpo e que se nos esvaem à medida que escrevemos. Do mesmo jeito que a psicologia diz que falar ajuda, eu digo que escrever ajuda, e muito.

As livrarias são fascinantes porque provam que duas pessoas interessantes podem se conhecer e se dar bem sem jamais terem se conhecido ou ouvido falar uma da outra. O poder dos livros e das palavras, do encantamento, do estranhamento é deslumbrante por ser reconfortante e complementar; eles estão lá, procurando ser vistos e entendidos, e nós vamos em busca deles, aspirando que nos toquem a alma ou nos ajudem a compreender este mundo. 

Da próxima vez que fores à livraria, entra, lê os títulos e demora. Todos os relacionamentos pedem um pouco de paciência.

Monday, July 16, 2012

Não me olhas

Se só consegues ver a minha barba e o meu cabelo,
Nunca olharás o profundo dos meus olhos.

Friday, July 13, 2012

É assim

Fiquei 10 meses em Londres
e não a possuí
não conheci o café dos estudantes
não senti o calor do sol no final de tarde
não me abri a quase ninguém
sempre tive que me programar

Fiquei 5 dias em Lisboa
e já fiz planos de vida
já sei onde vou almoçar nos finais de semana
já sei onde se vendem os melhores doces
imaginei meu trajeto de casa pro trabalho
planejei férias para a Espanha

Gosto de ver os bondinhos
e podia repetir tudo isso
sem metrificar
sem pensar nas linhas do metrô

A vida é engraçada mesmo

Saturday, July 7, 2012

Impaciência

Dá licença
mas hoje tô sem paciência
pra tentar me decifrar

Lirismo Coletivo

Os meus amigos são partes de mim
espalhadas neste mar de manifestações

Somos os nós-líricos
em meio aos eles-líricos