Monday, January 2, 2012

E=mc²

É tão estranho e engraçado notar como vemos o tempo. Uma hora pode passar num segundo quando temos um amigo ao nosso lado, e dez minutos tornam-se uma eternidade se estamos entediados em casa. Mas, mais do que o comprimento, importa-me mais a densidade dessa unidade de medida; o que se faz, o que se fez, o peso das decisões, as imagens vistas, o que se sentiu.

Acabei de perceber que domei o tempo, peguei-o de surpresa, tirei-lhe a varinha mágica. Antes estava fora, agora está aqui dentro! Posso tocá-lo, controlá-lo, mudá-lo e, principalmente, dar-lhe ordens! Tínhamos uma relação peculiar, dominada por incertezas, por medos, sobretudo o de que ele resolvesse não ser denso, ou seja, resolvesse ser longo e pouco intenso. Entretanto, lidar com a densidade do tempo é um daqueles males necessários, como aprender a se conhecer, como se descobrir. Para atar o tempo a si, é preciso ser paciente, astuto, e um bom ouvinte de si próprio.

Passei à fase 2. Se antes me achava feio, hoje me amo; se ontem eu era estranho e tinha poucos amigos, hoje não abro mão do que obtive; se não agrado, não é esta cabeça que se preocupa. Com o tempo é o mesmo, aprendi a conhecê-lo e a torná-lo o que eu quero que seja.

Um pôr-do-sol, uma borboleta, uma música, uma série de TV, um papo com amigos, uma tristeza, um choro, uma foto, um rio, uma piada, um prédio. As coisas simples de que gosto passaram a preencher o vazio daquele tempo chato, daqueles dias em que tudo não funciona e que, antigamente, o tempo tornaria ruim. Hoje eu o pego, o castigo e digo não! "Hoje não me vences!"

O tempo é mesmo relativo, porque somos nós que devemos torná-lo denso, aproveitável, intenso e maravilhoso. Pode parecer que não há nada à nossa volta, que o tempo é curto ou longo demais, mas não é isso que importa. Quando estiveres assim, meio pra baixo, perguntando-te se as coisas valeram/ valem a pena, basta olhar dentro de ti e ouvir bater o coração. É ali que está o ritmo da vida!

Tuesday, November 29, 2011

Nostalgia

15 anos
Estava lá sentado
Ouvindo aquela música
Que me fazia refletir
Sobre o que eu poderia fazer na vida

21 anos
Estou aqui sentado
Ouvindo esta música
Que me faz refletir
Sobre o que poderia ter feito quando tinha 15 anos

Wednesday, November 23, 2011

Honestly

I am tired of asking you how you are doing
and listening "not too bad"
I am tired of pretending I find you funny
and agree with your stupid thoughts
just because of this fucking job
I am tired of being treated as a dog
while you are on the computer
I am fed up with being fed up with my heart
when it tries to humanize you
I am tired of hearing you say that one should care about people
while you judge your loyal customers
I am tired of convincing myself that you are nice
and having an everyday proof of the opposite
I am negatively puzzled with your capacity to hurt people
and not to be aware of that
I am impressed with your lack of sensibility

"So what you like? I love coffee. Pff, the money is shit!"

You and these stupid people
You and these materialists
You and these moneyaddicteds
You and this false mask of apparently being good
You and this "you have to be pretty for the girls"
You and this deep hurting selfish laughter

I am tired of you pulling me down
and saying what's right through your narrow lens

Honestly, FUCK YOU!

Monday, November 14, 2011

Instante

Como posso sentir tanto
o que aos outros nem toca?

Como?
Como, mãe? pai?
Como me fizeram assim?

Por que ninguém me diz "te entendo!"?
Pareço-me um vácuo

Não sei nem ao certo o que quero dizer, mas quero dizer algo
Fica aqui registrada essa necessidade de expressão

Sunday, November 13, 2011

Toda mudança começa com uma ideia (idéia).

Aqui em Londres, estou morando com portugueses, e o convívio com eles tem sido muito sadio e produtivo. Além das brincadeiras e jantas que fazemos, temos muitas conversas interessantes sobre os mais variados assuntos. No entanto, um que vem se destacando é a Língua Portuguesa. Creio que seja natural que ocorra esse tipo de debate, visto que no próprio ato de falar nos apercebemos diferentes, e aí se geram mais coisas a serem abordadas.

A questão que mais deu pano pra manga e que mais me tocou, no sentido de me pôr a pensar, foi a norma culta. Estávamos conversando sobre as diferenças entre o português brasileiro e o europeu, quando os nossos amigos portugueses disseram: norma culta? A gente nem estuda isso.

O que vimos no Brasil é um total descolamento entre o que se fala e o que se produz e escreve. Parecem água e óleo, não se misturam, mesmo que se force. Um não se interessa pelo outro, e misturá-los é muito difícil. Gostaria de lançar a discussão e de fazer vocês pensarem a respeito da Língua Brasileira, e mais, de como somos ensinados a nos comunicar e escrever no Brasil.

A disciplina de português nos parece uma doutrina, algo sério demais, um ser superior. Estudamos os tempos verbais, as regras de próclise, ênclise e mesóclise (!), as regências nominais e verbais, entre outros, e, no fundo, o que estamos estudando é "como ser entendido em Portugal". De quê nos serve estudar algo de maneira tão minuciosa se só o usamos para escrever em situações restritas, se não somos compreendidos pelos nossos conterrâneos, se não sai com naturalidade? Crescemos a vida inteira ouvindo frases como "Te amo" ou "Não quero te ver hoje!" e estudamos que estão erradas. O português virou uma coisa chata, sem graça, sem pé nem cabeça, desinteressante e, pior, torturante. Não valorizamos as culturas locais, deixamos de discutir neologismos e usos da língua porque estamos estudando como ser compreendidos em Portugal.

Os portugueses nem precisam pensar para escrever, a língua simplesmente se transfere da mente ao papel, não há limites, grades, regras, ela se torna criativa. Nós, brasileiros, estamos presos a uma realidade que nos é diferente, distante, abstrata.

Obviamente não acho que devemos sair por aí e tornar correto qualquer tipo de uso da língua, até porque, inevitavelmente, daqui a alguns séculos poderíamos nem nos entender. Mas trazer uma teoria para mais perto da realidade sempre a torna mais inspiradora, instigante e inteligente. O que se faz nas escolas do Brasil é uma doutrinação linguística, é uma reprodução do que deveríamos falar. Parece que estamos sempre errados, sempre errando, que somos desleixados, que não nos importamos. E a culpa recai, numa espécie de ciclo vicioso, em boa parte sobre os alunos, desinteressados, que não param para pensar sobre a sua identidade linguística, sobre as expressões fonéticas que mais correspondem ao que sentem, sobre a naturalidade do falar. O português está tão distante deles, que a maioria não lê, não escreve e/ou não acha que aquilo seja relevante.

Proponho uma abertura mental, uma abordagem mais relax, uma independência da Língua Portuguesa Brasileira. Que ela se torne livre da nossa preguiça de pensar, de organizar, que ela não seja mais uma vítima da tradição conservadora. Afinal de contas, onde já se viu termos que parar para raciocinar ao escrever, sendo que a escrita nos toca no âmago da subjetividade, da paixão e da inspiração?

Sejamos menos puristas, por favor, e sejamos mais originais. Um país tão grande, rico e transbordando de culturas merece uma identidade mais consolidada. Se demos o nosso famoso jeitinho brasileiro para burlar as regras do português europeu, que sejamos maduros e responsáveis o suficiente para lhe dar uma cara legal e para torná-lo um traço cultural valioso, e não um bicho de sete cabeças.

Monday, September 26, 2011

Metafísica egoísta

Eu tenho em mim uma quantidade imensurável de sonhos, de expectativas, de esperanças, de lições, de sentimentos que ainda não encontram correspondentes nos dicionários. Tenho alguns quilos de carne fresca, cerca de 70% de água e uns carboidratos aqui e acolá. Não sei como esse físico e essa metafísica se inter-relacionam, como lidam com seus acordos, como estabelecem pactos. Não sei quando nem como, mas tenho a certeza absoluta de que a metafísica não muda o meu status-quo, não se dá por vencida, não lhe convém aceitar uma paridade igualmente justa.
A minha metafísica é ruim, é invejosa, gosta de que transborde sobre o tocável aquilo de que é feita e que, ironicamente, não sabe como chamar-lhe.

Thursday, August 18, 2011

Pequena grande diferença

“Vou chegar em casa e comer um feijão!”
“Tô louco pra tomar um café!”
“Tomar um banho quente num dia frio tem seu valor.”

“Vou chegar em casa e comer um feijãozinho!”
“Tô louco pra tomar um cafezinho!”
“Tomar um banho quentinho num dia frio tem seu valor.”

De inho em inho, a gente se enche de ãos, de alegrias, de momentos simples e pequenos que nos engrandecem a vida.

Friday, July 22, 2011

Melancolia antecipada

A cidade tem ouvidos e bocas
Estas me dizem: "estás partindo? Não vás"

Não sei mais se conquistei Porto Alegre ou se Porto Alegre me conquistou. Acho que conquistamos um ao outro. O fato é que sair dela me doi, me arranca um pedacinho. E a levo comigo também.

Seremos eternos irmãos, daqueles que se tornam ótimos amigos, mas que sabem que, para crescer, às vezes precisam se separar.

Meu Porto hoje está triste...

Mas é temporário.

Thursday, July 21, 2011

A gente é bom!

Eu costumava ser tão rígido com a nossa Língua Portuguesa. Achava-a pior do que as línguas latinas conhecidas, achava que não valia a pena ser aprendida e ficava triste por não usarmos o "tu" ou o "nós" de maneira cotidiana e correta. Para colocar em fácil linguagem, eu era cri-cri!

Agora entendi o quão brasileiro é o nosso Português.
"Estamos sentados na grama do parque"
"A gente tá sentado na grama do parque"

Assim como o jeitinho brasileiro está nas músicas, nas compras, nos estudos e em tantas outras atividades, ele invadiu também o nosso falar. Burlamos o "nós", roubamos "a gente", despimo-lo da sua função coletiva de 3º pessoa do singular e lhe metemos um plural.

Aqui no Brasil a gente somos nós, a gente faz e acontece, a gente engloba eu e você.

Que a gente use mais a locução "a gente"! A gente será mais coletivo, mais solto, mais malandro sem fazer mal a ninguém.

A gente é bom!

Saturday, June 11, 2011

Tô que tô!

Quero ter um cantinho meu
Uma janela que dá pro quintal
Uma caneca de porcelana
Me deitar na cama
Sentir o cheiro que me lembrará
Que estou lá, que é a minha casa

Quero música tocando
Pra espantar o mau-olhado
Convidar amigos
Sem cobrança
Só amizade
Só alegria
Só pureza
Que beleza!

Quero gente que ria
Gente que chore
Gente minha e de cada um
Quero falar de política
De bobagem
De trivialidades

Quero tristeza
Pra me lembrar da alegria
Melancolia
Epidemia
Contágio (de risos!)
Aha-ha-ha

Quero ter vista do Sol
Sentir o calor na pele
Parar o meu tempo
Pelo menos por uns segundos

Quero ser relativo
Nada quero ser inteiro

Quero um porta-retrato na parede
Na sacada uma rede
Na cozinha um forno à lenha
No meu quarto um amor pra vida toda

Quero inventar